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Direito Previdenciário

Empréstimo consignado que você não fez: como reverter?

Aposentados e pensionistas têm sido alvo crescente de fraudes em consignado. Identificar a fraude e agir rápido são essenciais para reverter os descontos.

EA Eduardo Andrade Zimmermann OAB/SC 67.385

Uma das modalidades de fraude que mais cresceu nos últimos anos é o empréstimo consignado contratado sem o consentimento real do beneficiário, geralmente aposentados, pensionistas do INSS ou servidores públicos. O dinheiro do empréstimo, em muitos casos, é desviado para terceiros, mas as parcelas são descontadas mensalmente da renda da vítima.

Como acontece a fraude?

Os modos mais comuns:

  • Correspondentes bancários que captam dados pessoais sob falso pretexto e formalizam o contrato sem consentimento;
  • Golpes telefônicos com pessoas se passando por funcionários do banco ou do INSS;
  • Vazamento de dados pessoais (CPF, número do benefício) usado para contratar empréstimos;
  • Familiares ou conhecidos que utilizam dados de terceiros, especialmente de idosos com algum grau de fragilidade.

A fraude costuma ser descoberta apenas quando a vítima nota o desconto inesperado no benefício, em muitos casos, meses depois.

O que fazer ao identificar?

A ação rápida é decisiva:

1. Documentar o que aconteceu

  • Contracheque ou extrato mostrando o desconto;
  • Detalhes do contrato (acessar Meu INSS para ver consignados ativos);
  • Anotação dos dados do banco e do contrato;
  • Eventuais comunicações recebidas (mensagens, e-mails, chamadas).

2. Registrar boletim de ocorrência

Boletim de ocorrência policial é prova fundamental. Permite formalizar a fraude e abre a porta para investigação criminal contra os fraudadores.

3. Reclamar formalmente ao banco

A reclamação por escrito (preferencialmente via canal oficial com protocolo) ao banco que concedeu o empréstimo é o passo seguinte. Em muitos casos, o banco tem mecanismos internos para tratar fraudes, especialmente quando há boletim de ocorrência registrado.

4. Acionar a Defesa do Consumidor (Procon)

O Procon recebe reclamações de consumo e pode mediar com a instituição financeira. Para alguns casos, é a etapa intermediária entre a reclamação direta e a via judicial.

5. Usar o canal do Banco Central

O RDR (Registro de Demanda do Cliente) do Banco Central permite registrar a ocorrência diretamente. Em casos sérios, há atuação fiscalizatória.

6. Avaliar a via judicial

Quando os passos administrativos não resolvem (ou quando o caso é claramente fraudulento), a via judicial é o caminho. O pedido típico envolve:

  • Declaração de inexistência da relação contratual;
  • Suspensão dos descontos (tutela de urgência);
  • Devolução em dobro dos valores indevidamente descontados (Código de Defesa do Consumidor);
  • Indenização por danos morais, especialmente quando o aposentado sofre constrangimento ou prejuízo significativo.

Quais documentos costumam ser importantes?

  • Boletim de ocorrência;
  • Cópia do contrato fraudulento (obtida do banco);
  • Extratos bancários mostrando os descontos;
  • Comprovação de que o valor liberado não foi recebido pelo titular (extratos bancários da conta da vítima);
  • Comunicações com o banco sobre a contestação;
  • Documentos pessoais comprovando que a vítima não estava em condição de contratar (idoso fragilizado, pessoa fora do país na data, etc.);
  • Eventual perícia grafotécnica, quando há assinatura supostamente da vítima.

E se a vítima é idoso vulnerável?

Em casos envolvendo idosos com algum grau de fragilidade (cognitiva, mental ou social), os tribunais costumam ter postura mais protetiva. A tese de que o banco deveria ter aplicado diligência maior no momento da contratação tem sido reconhecida, especialmente quando o consignado foi rapidamente sucedido por outros, ou quando o valor liberado foi transferido para terceiros estranhos à vítima.

E o banco, é responsável mesmo se foi enganado?

Sim, em geral. A responsabilidade do banco em fraudes envolvendo consignados é objetiva, decorre do risco da atividade. O banco que oferece crédito assume os riscos de fraude no processo de contratação, e não pode transferi-los ao consumidor que sequer participou da operação.

Em quanto tempo a situação se resolve?

A tutela de urgência para suspender os descontos pode ser concedida em poucas semanas. A discussão de fundo (declaração de inexistência, devolução em dobro, danos morais) costuma levar alguns meses até a sentença.

Próximos passos

Se você ou alguém da família foi vítima de empréstimo consignado fraudulento, fale com o escritório o quanto antes. Em situações de descontos em curso, há prioridade na suspensão imediata do prejuízo financeiro.

Conteúdo meramente informativo. Não substitui consulta jurídica individualizada.

Próximo passo

Tem dúvidas sobre o tema deste artigo?

Cada caso é único e exige análise individualizada. Fale com o escritório para entender como o tema se aplica à sua situação.