Por julia zerbinat | oab sc 72.972

Precisa que alguém resolva algo por você?

Veja quando a procuração pode ajudar?

Delegar tarefas é algo comum tanto na vida pessoal quanto na profissional. Muitas vezes, porém, surgem situações em que não é possível estar presente para resolver determinada questão: participar de uma reunião, assinar documentos, resolver um assunto em cartório ou até representar alguém em um processo judicial.

Isso pode acontecer por diversos motivos: falta de tempo, viagem, morar em outra cidade ou até no exteriorNesses casos, a solução jurídica adequada costuma ser a procuração.

A procuração é um instrumento por meio do qual uma pessoa (chamada de outorgante) concede poderes a outra (o outorgado ou procurador) para agir em seu nome. Esse mecanismo está previsto no Código Civil Brasileiro e permite que determinados atos sejam praticados por outra pessoa de forma válida e legal.

Apesar de parecer um documento simples, existem diferentes tipos de procuração, cada um adequado a situações específicas. Entender qual delas utilizar evita problemas, recusas de órgãos públicos ou até a necessidade de refazer o documento.

Situações do dia a dia em que a procuração pode ser útil
Muitas pessoas não percebem, mas a procuração pode facilitar diversas situações cotidianas. Por exemplo: quando alguém precisa representar você em uma reunião de condomínio, quando é necessário resolver um assunto em cartório ou órgão público, quando você está viajando ou morando no exterior e precisa que alguém resolva algo no Brasil ou até mesmo quando outra pessoa precisa assinar documentos ou retirar documentos em seu nome.

Também é comum que pessoas que vivem fora do país utilizem procurações para resolver questões no Brasil sem precisar viajar apenas para tratar de assuntos burocráticos.

Procuração simples ou particular
A procuração particular é a mais comum e pode ser utilizada para delegar tarefas do dia a dia.
Ela é indicada, por exemplo, quando alguém precisa que outra pessoa: represente em uma reunião de condomínio, resolva assuntos administrativos, retire documentos, assine determinados papéis e/ou represente em atos específicos.

Esse tipo de procuração geralmente é feito por escrito, assinado pelo outorgante, e pode ou não exigir reconhecimento de firma, dependendo da exigência da instituição que receberá o documento. Em muitos casos, é suficiente indicar claramente: quem concede os poderes, quem recebe os poderes e quais atos poderão ser praticados.

Procuração pública
A procuração pública é aquela feita diretamente em cartório de notas, com a participação de um tabelião. Ela costuma ser exigida quando os atos envolvem maior formalidade ou impacto jurídico, como: compra e venda de imóveis, administração de determinados bens e representação em atos que exigem maior segurança jurídica.

Por ser lavrada em cartório, esse tipo de procuração possui fé pública, o que significa que sua autenticidade é presumida.

Procurações feitas no exterior: quando é necessário apostilar ou passar pelo consulado

Quando a procuração é feita fora do Brasil, pode ser necessário cumprir alguns procedimentos para que ela tenha validade no território brasileiro.

Nos países que são signatários da Convenção da Apostila de Haia, o documento precisa receber a chamada Apostila de Haia, que certifica sua autenticidade para uso internacional.

Já em países que não fazem parte da convenção, o procedimento costuma envolver a legalização consular, realizada por meio de embaixadas ou consulados.

Após isso, geralmente ainda é necessário realizar tradução juramentada do documento para que ele possa produzir efeitos no Brasil.
Esses procedimentos são bastante comuns para brasileiros que moram no exterior e precisam resolver assuntos como: venda ou administração de imóveis, representação em processos, questões patrimoniais ou familiares e resolução de assuntos burocráticos no país.

Procuração judicial (procuração para advogado)
Quando a representação ocorre em um processo judicial, é necessária uma procuração específica para advogado.
Nesse caso, o documento concede os chamados poderes “ad judicia”, permitindo que o advogado represente o cliente perante o Judiciário, proponha ações, apresente defesa, acompanhe o processo e pratique atos processuais.

O Código de Processo Civil também estabelece que alguns poderes precisam estar expressamente previstos na procuração, como confessar, desistir da ação, transigir (fazer acordo) ou receber valores e dar quitação.
Por isso, a redação desse tipo de procuração costuma ser mais técnica.

Procurações úteis para empresários
A procuração também pode ser uma ferramenta extremamente útil para empresários e gestores que precisam delegar determinadas atividades.

Em ambientes empresariais, é comum que os sócios ou administradores concedam procuração para: assinatura de contratos, representação da empresa em reuniões ou assembleias, prática de atos administrativos, representação perante órgãos públicos e resolução de questões bancárias ou comerciais

Isso permite que determinadas atividades continuem sendo realizadas mesmo quando o responsável não pode estar presente.

Quando elaboradas de forma adequada, essas procurações ajudam a dar mais agilidade à gestão empresarial, sem comprometer a segurança jurídica.

Procuração com poderes específicos
Em algumas situações, não se deseja conceder poderes amplos, mas apenas autorizar uma pessoa a realizar um único ato ou tarefa determinada.

Isso é muito comum quando alguém precisa, por exemplo: representar outra pessoa em uma assembleia, resolver um problema pontual em um órgão público e/ou realizar um procedimento específico em nome de alguém que está no exterior.

Nesse caso, a procuração deve ser clara e objetiva, delimitando exatamente o que pode ou não ser feito.

Por que escolher o tipo correto de procuração é importante
Utilizar o tipo adequado de procuração evita diversos problemas, como: recusa do documento por instituições, impossibilidade de praticar determinado ato, necessidade de refazer a procuração eriscos jurídicos por concessão de poderes excessivos.

Além disso, uma procuração bem redigida protege tanto quem concede os poderes quanto quem os recebe.

Conclusão
A procuração é um instrumento jurídico simples, mas extremamente útil para quem precisa resolver assuntos sem estar presente.

Seja para situações do cotidiano — como participar de uma reunião ou resolver um assunto em cartório —, seja para brasileiros que vivem no exterior e precisam tratar de questões no Brasil, ou ainda para empresários que necessitam delegar determinadas funções, a procuração permite que uma pessoa de confiança atue em seu nome de forma legal e segura.

Quando elaborada corretamente e com poderes adequados à finalidade pretendida, a procuração se torna uma solução prática para facilitar a resolução de questões pessoais, administrativas e empresariais, mesmo à distância.